quarta-feira, 23 de julho de 2008

TÉDIO CIBERNÉTICO


TÉDIO CIBERNÉTICO (*)

Thelma Regina Siqueira Linhares


Incorporado à rotina

de horas amenas

hoje

sinto falta do computador

que infectado

e danificado

me deixou sem net.

Plugando com o vazio

... é o tédio!


(*) Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos. vol 33 - 1ª edição - fev/2007 - CBJE - RJ

sábado, 19 de julho de 2008

DE CARONA



DE CARONA
Thelma Regina Siqueira Linhares


De carona,
na janela,
todo o viver na cidade se avista.
E se agita.
Aqui se completa.
Ali se opõe.
Acolá se contrapõe...

Paradoxal.
Humano.
O viver e o conviver na cidade.
Mesmo quando visto de carona.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

TICO


TICO
Thelma Regina Siqueira Linhares

Tico.
Ele chegou
após muita insistência dos filhotes dela,
em uma caixa de papelão.


Uma bolinha branca.
Felpudo.
Muito vivo.
Muito esperto.
Brincalhão.
De fato, um belo exemplar canino.


Hoje, com certeza, faz parte da família.
E, se no passado,
uma cigana tivesse previsto a sua chegada,
como sugestão,
a idéia de quebrar a bola visionária escutaria...

sábado, 12 de julho de 2008

IX FENEARTE

folder oficial da IX FENEARTE

IX FENEARTE
Thelma Regina Siqueira Linhares

É só até domingo, dia 13 de julho. Do contrário, a espera é de um ano para viver à Fenearte, no Centro de Convenções, em Olinda/PE. Nesta edição de número IX, grandiosa! Não se pode negar. É a maior em stands, em expositores, em negociações e em público. Uma programação pensada para atender diferentes “tribos” e apresentar, numa pitadinha que seja, a rica diversidade cultural do estado anfitrião. Oficinas gratuitas, sob a orientação de alguns mestres-artesãos, propiciam um contato maior entre criador e sua obra e, quem sabe, o incentivo para novos talentos. As 8 (oito) praças, pontos de encontro, estão ambientadas e identificam elementos das quatro áreas geo-socio-econômicas de Pernambuco: Região Metropolitana, Zona da Mata, Agreste e Sertão, além de uma que reverencia o país – nosso Brasil-brasileiro...
Já na entrada, a antecipação da grandiosidade se adivinha através de um imponente tapete vermelho no hall, incluindo as bilheterias. Ladeando, três ambientes se destacam. O primeiro, a grande oca – a maloca – onde os vários povos e etnias indígenas brasileiras expõem seu rico artesanato e apresentam algumas manifestações culturais e folclóricas. Um stand do governo de Pernambuco, com ambientação e divulgação de roteiros turísticos do estado e, por fim, uma sementeira distribuindo mudas da vegetação da Mata Atlântica – um apelo a mais à consciência ecológica.
Passadas as roletas de acesso, ainda sob o piso vermelho, a imponente Praça dos Mestres dá às boas-vindas aos visitantes. Além das obras, da identificação do artesão, bem sinalizada através do nome e foto, é possível encontrar, conversar ou ver trabalhar as mãos de quem faz. No Salão de Arte Popular, após a visualização das obras concorrentes, é possível votar on line naquela peça que mais tocou a emoção. E o labirinto segue ao longo de 24 ruas, onde centenas de stands oferecem de um quase tudo que as mãos e a criatividade podem materializar.
No mezanino/1º andar, catorze ambientes ampliam a Fenearte. Destacando-se a Galeria de Reciclados, também com votação popular, a Oficina de Reciclados e o Museu de Arte Popular.
Na Praça de Eventos e Alimentação, encontra-se o final do labirinto da IX Fenearte. Entre comes e bebes, shows com artistas e brincantes dão um colorido especial e recuperam qualquer cansaço. E deixa, na saída, o gostinho de quero mais.
Em resumo, as breves impressões de quem curte a Fenearte como a grande vitrine do artesanato e da cultura popular, que valoriza e oportuniza ao artesão conhecido ou anônimo, o tratamento que ao artista plástico, normalmente, é dispensado.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

LUZ DIVINA




LUZ DIVINA (*)
Thelma Regina Siqueira Linhares

Para quem tem olhos
emocionante vê-la
esculpindo na madeira lindos golfinhos
usando apenas o tato
reproduzindo bichinhos
que, com certeza,
seus olhos nunca viram.

Para quem tem olhos de ver
emocionante vê-la
e enxergar mais que a artesã
exemplo de vida
de uma jovem mulher
outrora só menina
do sertão pernambucano
de Petrolina.


(*) Marinalva Rufino é artesã de Petrolina/PE.

Publicado na Folha de Pernambuco, em 15/09/2006.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

CONTRASTES

CONTRASTES
Thelma Regina Siqueira Linhares

Borboleteando
no jardim florido
vão multicolorindo a paisagem.
Enquanto eu
pés no chão
e pensamentos ao vento
mal consigo acompanhar
o alado frenesi.

domingo, 29 de junho de 2008

RECIFE

foto por Sthella Monteiro

RECIFE

Thelma Regina Siqueira Linhares


Recife

Cidade dos arrecifes

das pontes

dos rios

dos manguezais.

Recife

Cidade das praças arborizadas

de ruas agitadas

onde passado, presente e futuro

se juntam num tempo só.

O tempo de viver no Recife.

O tempo de fazer o Recife.


(Agenda 2007, SIMPERE)