sábado, 30 de agosto de 2008

UM SONHO DE POMAR


UM SONHO DE POMAR
Thelma Regina Siqueira Linhares

Um sonho de pomar
que eu sonho
tem grama verdinha
uma colina
e, lá no alto, uma casinha.

Plantados e já florando
Cajueiro, sapotizeiro e jambeiro.
Carregadinhos, já estão
Os pés de acerola e pinha,
Pitanga, serigüela
E mamão.
Madurinhos já no ponto
Manga-rosa e manga-espada.
E, ao vento balançando, o jovem coqueiro.

Como é sonho
Ainda posso plantar:
Graviola, laranja-lima e limão
E cana-caiana
Prá mais adoçar.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

DÚVIDA


DÚVIDA
Thelma Regina Siqueira Linhares

Quem rapidamente passou
o trem do metrô
ou minha juventude?

terça-feira, 26 de agosto de 2008

ELA É PERNAMBUCANA


ELA É PERNAMBUCANA
Thelma Regina Siqueira Linhares


Ela é pernambucana, portanto brasileira.
E brasileira bem típica: Mulher.
Pobre.
Idosa.
Aposentada.
Nunca freqüentou escola. Lê muito pouco e escreve desenhando o próprio nome. Nascida no interior - Paudalho -, numa época em que as escolas rurais eram raridade, em que meninas pobres não tinham direitos defendidos e que a própria família não valorizava os estudos - saber ler era coisa de ricos.
Ela é pernambucana, portanto brasileira.
E brasileira bem típica: Mulher.
Pobre.
Idosa.
Aposentada.
Adolescente, ainda, migrou para a cidade grande - Recife - a capital pernambucana. Sem qualificação foi trabalhar na casa dos outros. Cozinhar. Lavar. Arrumar. Tomar conta de crianças. Uma maratona diária, mal paga, sem prestígio e sem status.
Ela é pernambucana, portanto brasileira.
E brasileira bem típica: Mulher.
Pobre.
Idosa.
Aposentada.
Há mais de cinquënta anos está ligada a uma mesma família. Sentiu na pele, por décadas, os tabus e preconceitos de ser doméstica. Mas quatro gerações aprenderam a amá-la e respeitá-la pela sabedoria que tira do dia-a-dia e da própria experiência, pois a vida lhe ensinou quase tudo o que sabe.
Ela é pernambucana, portanto brasileira.
E brasileira bem típica: Mulher.
Pobre.
Idosa.
Aposentada.
E que ainda sonha. Com mais que o salário-mínimo na aposentadoria. Com uma casinha. Com a saúde e possibiidades de comprar remédios. Com o respeito a direitos elementares, como por exemplo, subir no ônibus, ao dar, ela própria, sinal de parada.
Ela é pernambucana, portanto brasiliera.
E brasileira bem típica: Mulher.
Pobre.
Idosa.
Aposentada.
E, ainda: Madrinha.
Mãe de criação.
Avó de coração.
Obrigada, Dinha!
E que Deus a abençoe, eternamente!

Recife, 26/08/2002.
Recife, 26/08/2008. PARABÉNS pelos 84 anos, Dinha!

domingo, 24 de agosto de 2008

DESASSONHANDO SONHO SÓ




DESASSONHANDO SONHO SÓ
Thelma Regina Siqueira Linhares

Sonho só.
Sonhador inveterado
Sem-sonho realizado
Desassonhando o sonhador
Desassonhando vida afora...

Recife, 2002

sábado, 23 de agosto de 2008

CONVOCAÇÃO GERAL


CONVOCAÇÃO GERAL
Thelma Regina Siqueira Linhares

Saltitante e serelepe
Saci-pererê convoca
todos os monstros nacionais
para uma doce travessura
num "raloin" à brasileira.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

22 DE AGOSTO



22 DE AGOSTO
Thelma Regina Siqueira Linhares


Além de rimar com desgosto, o mês de Agosto traz em seus dias a comemoração do Dia Mundial do Folclore. Precisamente, o dia 22. Data dedicada a tudo que traduz “o pensar, sentir e agir de um povo” como tão definitivamente definiu Luís da Câmara Cascudo, o mais completo folclorista brasileiro.

O vocábulo Folclore foi criado em 1846, pelo antropólogo inglês William John Thoms. Mas, muito tempo atrás, ainda na Antiguidade, escritores, pensadores e filósofos atentaram para alguns fatos folclóricos dedicando-lhes estudos e importâncias na construção do conhecimento de povos, culturas e civilizações.

A vivência do Folclore há muito retrocede no tempo. Talvez, àquele exato momento em que os primeiros seres humanos se definiram como tal, na linha divisória com os outros primatas. Observando a natureza, buscando a sobrevivência da espécie, dando identidade própria a determinado grupo social, enfim, promovendo aprendizagens e socializando conhecimentos incorporados às tradições e transmitidas oralmente através das gerações.

À tradição e à oralidade, junta-se o anonimato e a funcionalidade do fato para torná-lo folclórico. Do contrário, apenas um fato popular ou pitoresco.

E como é variado o leque dos fatos folclóricos! Cantigas de ninar e acalanto. Cantigas de roda. Histórias da carochinha, lendas e mitos. Brinquedos e brincadeiras populares. Ditados populares, provérbios, frases de pára-choques de caminhão. Parlendas, trava-línguas. Adivinhações, crendices e superstições. Comidas e bebidas típicas. Tipos populares. Artesanato. Medicina popular. Entre tantos.

E tem fato folclórico para todo gosto e idade.

Ainda no ventre da mãe, adivinhações e crendices buscam a identificação do sexo do feto. Ao nascer, braços carinhosos, solícitos e cuidadosos protegem o bebê que cresce e vai se apropriando da cultura em que está inserido. Pela transmissão. Pela oralidade. Pela tradição.
Na creche ou na escola se acelera a socialização infantil. As brincadeiras e cantigas de roda, as parlendas, as histórias da carochinha, etc. povoam a imaginação, exercitam à criatividade, ampliam vocabulário. Na infância e adolescência, brincadeiras populares, folguedos, crendices e superstições. Na idade adulta e velhice, comidas e bebidas típicas, crendices... E a história se repetindo, se reinventando, se reescrevendo.

22 de Agosto.
Bela data para rever valores. Inclusive, ocasião para reverter preconceitos de considerar Folclore uma ciência de menor importância para a humanidade. Neil Armstrong ao deixar sua pegada no solo lunar citou ser aquele “um grande passo para a humanidade” e lá ficou a marca do seu pé direito... para dar sorte, com certeza!

22 de Agosto.
Também é data de lembranças. Da festa do Folclore na FUNDAJ, tendo por anfitrião o folclorista Mário Souto Maior. Encontro de amigos. Socialização de saberes. Comes e bebes autenticamente nordestinos...

22 de Agosto.
Viva o Folclore!

Recife, 24/08/2002

terça-feira, 19 de agosto de 2008

FOLCLOREANDO


FOLCLOREANDO
Thelma Regina Siqueira Linhares


Ciranda, cirandinha
- quem já não cantou?
Passar anel e pular amarelinha
- quem já não brincou?
Cinderela, Branca de Neve
- quem já não contou?
Um, dois, feijão com arroz
- quem já não falou?

Bola de gude.
Empinar papagaio.
Brincar de elástico.
Boca de forno - forno!
Estátua.
Dedo mindinho.

A criança de ontem ensina a de hoje.
E assim por diante.
Amém!